Começa a fazer alguns anos que senti o doce sabor da liberdade de não ter horários, da ausência das justificações e do fazer sempre do meu jeito. Do silêncio e da cama sempre desfeita.

Mas com isso vem também o tempero mais amargo, aquele que nos faz ganhar hábito de partilhar algumas coisas sozinho. Traz também o aumento das responsabilidades, uma redefinição das prioridades e um mundo completo de desafios.

Um desses desafios, está presente naqueles dias que parecem não ter fim, em que chegamos a casa e ela está como a deixámos – Com aquela pilha de roupa que vai crescendo, a loiça ainda por lavar do jantar da noite passada e aqueles papeis em cima da mesa que nunca mais se arrumam sozinhos. Ainda assim temos de fazer algo quanto a isso. Pensamos nós, porque na realidade, o que eu faço pelo menos, é ir direito para o sofá.

Existem tempos que me fazem lembrar quando era mais pequeno. O Sofá muitas vezes vira cama, nem como em miúdo, quando adormecia a ver os desenhos animados e depois acordava magicamente na minha cama. Hoje já não tenho essa magia provida dos braços do meu pai. Tenho sim o roncar de um Labrador adormecido cujas patinhas voam em direcção à minha cara.

Percebi também que consigo rir da minha própria desgraça. Percebi isso quando passar uma camisa a ferro era o meu maior desafio naquela semana. Ou quando tentei fazer panquecas e acabei por ficar com massa para fazer pão.

É um conto recheado de várias histórias com que fico para contar e que no fim, todas me fazem rir.